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Celular e trânsito, perigo constante
Quem lê e envia SMS – do inglês short message service – enquanto dirige e pensa que o veículo está em total segurança, enganou-se! Reveja a conduta. Um estudo divulgado pela instituição inglesa RAC Foundation, que trabalha com segurança dos motoristas, aponta que as mensagens transmitidas pelo celular são um dos principais fatores responsáveis por acidentes nas vias. A pesquisa realizada em parceria com o Laboratório Britânico de Pesquisas do Trânsito (TRL, na sigla em inglês), concluiu que a troca de torpedos associada ao comando da direção atrapalha mais os condutores do que se estes estivessem sob o efeito de álcool ou drogas.
Jovens, atenção!
Os pesquisadores analisaram motoristas entre 18 e 24 anos e usaram simuladores de direção no trânsito para avaliar o impacto que escrever ou ler torpedos exerce no modo como eles atuam nas ruas. De acordo com os resultados obtidos pelo TRL, o tempo de reação das pessoas que utilizavam o SMS ao dirigir diminuiu 35%. Estudos anteriores demonstraram que os condutores que estavam sob efeitos de maconha ficavam cerca de 21% mais lentos e os que estavam dirigindo após beber além do limite permitido ficaram com 12% de dificuldade de raciocínio. Uma relação bem relevante. Além disso, a capacidade de controle no volante pelos usuários de SMS foi prejudicada em 91% e a habilidade em manter a distância com relação aos outros automóveis também caiu. José Montal, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), explica como esta situação seria mais arriscada em situações reais nas rodovias: “Ao enviar ou receber um torpedo, a pessoa abdica a atenção para esta tarefa. Imagine o que pode acontecer se o motorista estiver a 70 km/h e ficar uns instantes dirigindo em um vôo cego (momento em que você conduz o carro sem saber para onde está indo). É perigoso!”
O uso do celular ao dirigir é crime
A RAC Foundation decidiu avaliar a influência dos torpedos na direção depois que um estudo realizado no início de 2008 revelou que a prática do envio e leitura de mensagens no volante é comum entre os motoristas britânicos. Entretanto, esta atitude de distração não é um fenômeno local. Aqui no Brasil, também existem aqueles que mesmo sabendo que a situação é arriscada não deixam de recorrer às mensagens de texto.
Luciano Mesquita, 28 anos, redator, é um deles. “Geralmente, uso o torpedo no trânsito quando vou me encontrar com alguém. Sei que é errado, até porque você acaba prestando mais atenção na mensagem e tira a mão do volante para pegar o aparelho. Certa vez quase bati no carro que estava à minha frente. O sinal abriu, mas os carros não andaram. Como estava distraído digitando a mensagem, não percebi e dei partida”, conta.
Montal afirma que este tipo de condutor está colocando a própria vida e as de outras pessoas em risco, pois entre 90% e 95% das informações que são necessárias para dirigir demandam a visão. O diretor científico ainda faz um alerta: “O uso do celular é uma infração de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro. Todo desvio de atenção é arriscado. Então, a melhor medida é deixá-lo desligado. Além disso, a sociedade precisa ser educada para entender que os acidentes de trânsito estão se tornando uma patologia”.
A condutora Fernanda Darck, 24 anos, servidora pública, é mais prudente e segue as recomendações do especialista da ABRAMET. “Quando estamos dirigindo, nossa atenção tem que estar voltada totalmente para o trânsito. O envio de torpedo SMS não tem os efeitos de uma droga, mas também pode ser fatal num momento de distração. Ambas as situações são graves”, declara.
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