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Saúde ainda é o que interessa
 
O colapso da saúde pública no Brasil fez crescer nas últimas décadas uma forte consciência na população brasileira sobre o importante papel do sistema privado de saúde. Ter uma carteirinha de convênio na bolsa durante uma emergência médica é, como diriam os antigos, um santo-remédio!

Convênio é o termo mais usado quando se quer referir tanto ao popular plano de saúde quanto ao seguro saúde. A diferença entre eles é simples. No plano de saúde, o consumidor paga uma mensalidade e, caso precise de qualquer serviço, a operadora contratada irá prestá-lo por meio de sua rede credenciada - própria ou de terceiros - sem nenhum ônus financeiro para o consumidor. Já no caso do seguro-saúde, o consumidor tem liberdade de escolher médico ou hospital, devendo a seguradora arcar com o pagamento.

Em ambos os casos, cabe à empresa contratada assumir os riscos dos custos das intervenções à saúde, que vão desde os honorários médicos, aos medicamentos, infra-estrutura e hotelaria dos hospitais. Uma equação complexa que tem gerado amplos debates no setor.

O problema é que os custos são elevados e o repasse ao cliente é proibido nos planos individuais. "O reajuste anual das mensalidades dos planos e seguros individuais obedece a um teto fixado pelo governo. Como esse teto não tem sido suficiente para equilibrar as receitas e as despesas, houve redução da oferta de planos individuais", afirma a diretora de Saúde da Fenaseg, Solange Beatriz Mendes.

Nos planos corporativos, a situação é bem diferente. O reajuste das mensalidades é negociado entre as operadoras de saúde e as empresas contratantes e para chegar ao equilíbrio ambos os lados têm investido em gestão de saúde que, em outras palavras significa, prevenção.

Se o sistema público está em crise e os planos individuais são poucos, trabalhar em uma empresa que ofereça um plano de saúde passou a ser o sonho de consumo da maioria das pessoas. E entre os empresários, um bom plano ou seguro saúde transformou-se em importante ferramenta para atrair e reter talentos.

Solange observa que os programas de prevenção e de promoção da saúde têm sido demandados pelas próprias empresas contratantes, visando reduzir o absenteísmo, aumentar a satisfação do trabalhador e racionalizar os gastos com a assistência à saúde. "Usualmente, o segurado paga parte da mensalidade, ou co-participa do valor das consultas e exames, por isso, a preservação da sua saúde e a racionalização do acesso aos benefícios interessa a eles diretamente", disse.

Outra tendência verificada no setor é a verticalização de atividades. Cresce o número de companhias no segmento das medicinas de grupo, que podem ter clínicas, laboratórios e hospitais próprios. "Nesses casos, as operadoras devem ter evidências de economia de custos que justifiquem as aquisições e ampliações da estrutura própria. Um estudo realizado recentemente pela Diretoria de Saúde da Fenaseg, mostra que a presença de rede própria não melhora, necessariamente, a rentabilidade das operadoras de planos. Na realidade, o estudo não aponta para uma correlação direta entre a presença de rede própria e a rentabilidade do negócio", afirma Solange.

Em 2006, segundo dados da ANS, o mercado de saúde suplementar foi responsável pela cobertura de 44 milhões de beneficiários, o que corresponde a 23,9% da população brasileira. As seguradoras especializadas em saúde são responsáveis por 4,6 milhões (10,6% do total do mercado). Em termos de arrecadação, o setor como um todo movimentou em 2006 cerca de R$ 35,5 bilhões e as seguradoras apresentaram um faturamento de R$ 7,9 bilhões (22% do mercado).

 
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